A atuação no serviço público exige atenção permanente às normas legais e administrativas. Diferentemente da iniciativa privada, em que é permitido fazer tudo aquilo que a lei não proíbe, o servidor público está submetido ao princípio da legalidade estrita, segundo o qual somente é possível fazer o que a lei autoriza. Essa distinção fundamental está na origem da maioria das faltas funcionais.
Esse cenário torna o ambiente da Administração Pública mais sensível a erros formais, interpretações divergentes da legislação e falhas procedimentais, aumentando significativamente o risco de responsabilização disciplinar.
Neste artigo, você vai entender quais são os principais riscos do Processo Administrativo Disciplinar (PAD), as consequências de uma falta funcional, as medidas preventivas que podem reduzir a exposição a sanções e por que a assessoria jurídica especializada é essencial nesses casos.
Siga a leitura para compreender como proteger sua carreira e sua reputação no serviço público.
Os Riscos e as Consequências da Responsabilidade Funcional
Cometer uma falta funcional — seja por ação ou omissão — expõe o servidor a responsabilidades que podem se acumular em três esferas independentes: administrativa, civil e penal.
Entre os principais riscos e sanções disciplinares, destacam-se:
Advertência e Suspensão
Essas penalidades mancham a ficha funcional e podem impedir promoções e progressões na carreira por determinado período. No caso da suspensão, há ainda a perda da remuneração correspondente aos dias não trabalhados, além do impacto negativo na contagem de tempo para aposentadoria.
Demissão
Considerada a pena capital do serviço público, a demissão tem caráter punitivo e não se confunde com a exoneração. Ela pode implicar a impossibilidade de retorno ao serviço público federal — ou a outras esferas, conforme a legislação aplicável — por períodos que variam de cinco a dez anos, ou até de forma permanente.
Improbidade Administrativa
Quando a falta funcional causa dano ao erário ou gera enriquecimento ilícito, o servidor pode responder judicialmente, ficando sujeito à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos e à aplicação de multas expressivas.
Danos à Reputação
Mesmo que haja absolvição ao final do processo, o simples fato de responder a um PAD gera desgaste emocional, estresse, impactos na equipe de trabalho e desconfiança por parte das chefias e da Administração.
O “Escudo” do Servidor Público: Cuidados que Devem Ser Adotados

Para mitigar esses riscos, o servidor deve adotar uma postura defensiva e proativa, sempre pautada pela documentação adequada e pela estrita observância da legalidade.
Regra de ouro: o que não está escrito, não existe no mundo jurídico.
Entre os cuidados essenciais, destacam-se:
Documentação e formalização
Evite ordens verbais em procedimentos complexos ou sensíveis. Caso receba uma orientação verbal que gere dúvidas, formalize-a por e-mail ou outro meio oficial, registrando claramente o conteúdo da instrução recebida.
Consulta às procuradorias e assessorias jurídicas
Diante de decisões difíceis ou de interpretações ambíguas da lei, é recomendável solicitar parecer jurídico. Agir respaldado por manifestação técnica ou jurídica constitui importante elemento de proteção e pode afastar ou mitigar a responsabilização.
Dever de lealdade e hierarquia (com ressalvas)
O servidor deve obedecer às ordens superiores, exceto quando forem manifestamente ilegais. Identificar esse limite exige conhecimento da legislação, dos regulamentos internos e das normas aplicáveis à atividade desempenhada.
Segregação de funções
Sempre que possível, evite concentrar todas as etapas de um procedimento em uma única pessoa, como solicitar, cotar, aprovar e pagar. A ausência de revisão por outros agentes aumenta o risco de erros que podem ser interpretados como má-fé.
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É Possível Ser Responsabilizado Mesmo com Todos os Cuidados?
Este é um dos pontos mais delicados da atuação no serviço público. A resposta é sim. Mesmo servidores que buscam agir corretamente podem ser responsabilizados, por diferentes motivos.
Culpa por negligência, imprudência ou imperícia
Muitas vezes, não há intenção de errar ou causar dano. Ainda assim, a Administração pode entender que o servidor foi negligente, imprudente ou tecnicamente despreparado para realizar determinado ato. A ausência de dolo não impede a aplicação de sanções mais leves ou a exigência de ressarcimento ao erário.
Interpretação dos órgãos de controle
Tribunais de Contas e o Ministério Público podem adotar entendimentos distintos sobre a aplicação da lei. Práticas aceitas por anos dentro de uma repartição podem, posteriormente, ser consideradas irregulares por órgãos de controle externo.
O dever legal de investigar
A autoridade que toma conhecimento de uma possível irregularidade é obrigada a apurá-la, sob pena de responsabilização por omissão. Assim, mesmo diante de erro formal ou denúncia plausível, a instauração de sindicância ou PAD é obrigatória.
Importante: o PAD é um instrumento de defesa. Ser alvo de um processo administrativo disciplinar não significa culpa, mas sim a necessidade de apuração formal para garantir segurança jurídica à Administração.
Por Que a Defesa Jurídica Especializada é Essencial no PAD
Considerando a gravidade das consequências que podem resultar de um processo administrativo disciplinar — que vão desde advertências e suspensões até a demissão ou cassação de aposentadoria —, a contratação de advogados experientes e especializados é uma medida prudente e necessária.
A defesa técnica não se limita à apuração dos fatos. Ela envolve a correta interpretação das normas estatutárias, dos princípios do direito administrativo sancionador, das regras probatórias, dos prazos processuais e da proporcionalidade das sanções. Profissionais especializados conseguem identificar nulidades, questionar enquadramentos jurídicos inadequados e construir uma estratégia defensiva consistente.
Além disso, o acompanhamento jurídico qualificado reduz a assimetria técnica entre a comissão processante e o servidor, assegurando que o exercício do poder disciplinar observe os limites da legalidade, da razoabilidade e do devido processo legal.
Cumpre destacar que a atuação do advogado não se restringe à fase contenciosa. Desde os primeiros atos de apuração, como sindicâncias e procedimentos preliminares, a orientação especializada pode ser decisiva para evitar o agravamento da situação ou até para o arquivamento precoce do caso.
Apoio Especializado em Processos Administrativos Disciplinares
A Barbosa & Valente Advogados Associados foi criada exatamente com esse objetivo: apoiar servidores e dirigentes de organizações públicas na prevenção e na defesa em processos investigativos instaurados no âmbito da Administração.
Mais do que uma defesa jurídica, oferecemos confiança, clareza e apoio estratégico, para que nossos clientes enfrentem esses desafios com segurança e reduzam os riscos de responsabilização.
Se você está passando por uma sindicância ou por um Processo Administrativo Disciplinar, entre em contato com a B&V. Estamos prontos para ajudá-lo.